Ah, o Rio de Janeiro!

14 04 2011

Relato de uma visita aos nossos grandes amigos da ACervA Carioca! Foram apenas duas noites, mas uma experiência intensa. O post será longo, mas vou tentar resumir.

Soube que estaria no Rio a trabalho nos dias 11 e 12/04 a noite, prontamente entrei em contato com o grupo para saber se era dia de Terça-sim, tradicional encontro da ACervA Carioca que acontece no Aconchego Carioca, do qual todo cervejeiro merece participar. Não, não era uma terça sim, não seria o dia do tradicional encontro. Porém, melhor do que isso, recebo a resposta de Mauro Nogueira (Confraria do Marques) convocando os colegas da ACervA a fazer uma recepção no Boteco Colarinho, portanto, uma Terça-Também. Me senti o cervejeiro mais importante do mundo. Saio de Salvador já animado com o convite, cheio de expectativas, e muito feliz em saber que iria rever velhos amigos.

Chegando no Rio, segunda feira, vou pro hotel deixar as coisas e parto pro Boteco Colarinho. Lá, era lançamento da Rotter American Pale Ale, e estavam na mesa o criador desta cerveja (ex-aluno de Botto) com sua famila, Botto, Tati, Padilha, Diego (um dos sócios do Bar) e mais algumas pessoas, sou péssimo pra nomes. Logo o papo sobre as ACervAs fluiu, e conversamos sobre a situação da ACervA Baiana e as novidades, da Bahia e do Rio. Falamos das dificuldades de cada acerva e sobre as dificuldades e burocracias com as microcervejarias.

Fiquei surpreso com o serviço e a qualidade do Boteco Colarinho. Coisa fina, com cara de boteco e bem agradável. Tomamos bastante chopp Rotter American Pale Ale e o Rotter Viena. Os petiscos são otimos, destaque para as empadinhas e para a estreia do Bobó de camarão, Escondidinho de Camarão e de carne seca, muito bom! E destaque também para as torneiras de chopp que saem do teto e vão até o balcão. São 09 chopps diferentes e uma carta de cervejas legal.

Chopp Rottër American Pale Ale

O American Pale Ale estava com excelente aparência, parecia filtrado mas não era, o segredo está na levedura utilizada. Aroma suave de malte e lúpulo, apesar de ser uma APA não estava carregada no lúpulo, achei muito boa. Parabéns a Rottër pelo lançamento. Além do APA tinha o Viena que estava muito bom também. Apesar de estar tudo muito bom, não abusei muito e voltei cedo pro hotel.

No dia seguinte, terça feira, sai da reunião no trabalho e parti pra casa do mestre Botto, onde ficaria por esta noite. Conheci o Chopp do Botto e da Tati, preto e marrom, comprido, com grandes orelhas e bem alegre, risos, o cãozinho deles se chama chopp, de apenas 03 meses, uma figura!

Pedi ao Botto que me levasse ao Delirium Café, e ele topou. Fomos ao som de Black Sabbath para Ipanema. Acho que não preciso entrar em detalhes sobre o bar, já temos um post sobre ele, mas não posso deixar de falar como fiquei admirado com o lugar. Dois andares, em baixo o balcão de madeira com choppeiras, e mesas. Em cima mais mesas e um telhado com telhas pintadas, lindo lugar. O som às terças é Blues, puro Blues! A decoração é fantástica, cheio de posters, garrafas, bandejas e bolachas de varias cervejarias do mundo todo. Uma longa prateleira com cervejas a disposição para levar ou consumir no local, várias preciosidades, fica difícil escolher, mas pude contar com a ajuda do mestre Botto. Começamos com o chopp Delirium, Strong Golden Ale, uma delícia, com caráter belga, frutado e aromático.

Eu e Botto no Delirium Café, chopp Delirium.

Em seguida, aproveitando o estilo para o concurso nacional deste ano, uma Aecht Schlenkerla Rauchbier, essa é muito defumada, lembrando bacon e com algum tostado dos maltes, autêntica cerveja defumada alemã. A fome bateu e pedimos uma linguiça na chapa recheada com queijo e acompanhada de molho de mostarda escura e pão, excelente tira gosto, um dos melhores para comer tomando uma cerveja. Para harmonizar, escolhemos uma La Chouffe Dubbelen IPA Tripel, uma espécie de tripel com lupulagem de IPA, cerveja bem maltada, com caráter belga de ésteres, porém com uma boa lupulagem herbal. A espuma é absurdamente persistente e firme. Não harmonizou bem como esperávamos, a cerveja se sobressai um pouco, porém curiosamente o pão só com a mostarda harmonizou, pois a mostarda é bem forte e casa com o lupulo herbal perfeitamente. Mesmo assim nem preciso dizer que tava maravilhoso, né?

La Chouffe Dubbelen IPA Tripel

Para finalizar e ir pro Boteco Colarinho de novo (já estavam nos esperando lá) pedi uma cerveja que há muito tempo sonhava em degustar, Ola Dubh. Na ocasião pedimos pela 40 (veja a descrição), que é a mais forte de todas. Apesar de toda expectativa que criei em cima dessa cerveja, esperava ser uma das melhores da vida, ela conseguiu superar muito, mas muito mesmo. Logo ao servir no copo, mostra sua poderosa cor negra parecendo mesmo óleo velho de motor, pouca carbonatação, e uma fina espuma persistente. Esperamos alguns minutos para esquentá-la enquanto terminávamos a La Chouffe. Ao levar ao nariz, aí vem a surpresa, de início vem o envelhecido whisky e toda sua turma de amigos, baunílha, carvalho, peated malt (malte defumado de whisky)…além de cerejas, torrado, chocolate e malte. Botto chama atenção ao côco, não tinha percebido ainda (afinal é como estar na frete de um puta quadro observando cada detalhe), mas tem muito côco e côco queimado, os dois. Já intimidado, tomo coragem e provo o primeiro gole. Puta que pariu. O sabor acompanha tudo isso que falei com um destaque mais evidente aos maltes tostados e sabor de whisky. O que chama atenção é a textura, macia, fôfa, aveludada e esquenta sem perceber nada de álcool (8%). Retrogosto persistente que lembra trufa daquelas de chocolate com licor!

Terminando a La Chouffe e esperando a hora certa da Ola Dubh 40.

 Assim fomos no carro pro Boteco Colaarinho ouvindo Led Zeppelin e lembrando de sua vinda aqui pra Salvador em 2009.

Chegando no Boteco Colarinho já tinha uma galera nos esperando mesmo, na praça em frente, com vários post-mix e uma choppeira com duas torneiras. Lá estavam, Mauro Nogueira, Luciane, Ricardo Rosa, Eduarda, Bode, Mauro, Bernardo Couto, João Veiga, Diego e muitos outros amigos da ACervA Carioca que, me perdoem, não consegui guardar os nomes. Fiquei imensamente feliz em rever aqueles amigos e de ver a união deles nos eventos, uma pequena visita de outra ACervA já vira uma festa. Muita conversa boa sobre as ACervAs, sobre o concurso de Florianópolis que ocorrerá em Junho, sobre o regulamento e sobre os estilos. As cervejas: uma Black IPA da Confraria do Marques, muito gostosa e lupulada, escura, mas sem muito caráter de tostado como pede esse novo estilo, essa mais leve. Uma Imperial Black IPA, porradona, forte e muito lupulada. A Delicia Eiou, com um dry-hopping animal, lúpulo líquido, ótima. Uma Bitter de Ricardo Rosa, muito bem maturada e perfeitamente balanceada, fiz um comentário sobre o armargor baixo, mas Ricardo me corrigiu, apesar de se chamar Bitter, não é uma cerveja amarga como ESB ou IPA, bem menos, e com uma drinkability ótima. Tinha um post mix do Bode, não lembro o estilo, mas era uma lavagem de Barley Wine e estava muito gostosa. Enfim, foi muito legal compartilhar esse momento com a galera da ACervA Carioca, que gentilmente se reuniram para receber um membro de outra ACervA. Vocês são maravilhosos!

Na ocasião, fomos presenteados com uma Duble Chocolate Stout, parceria da Dado Bier com Ricardo Rosa e Mauro Nogueira. Fui pra casa com Botto dormir pra levantar cedo e voltar pra Salvador. Pensa que acabou? Não, Botto presenteia a ACervA Baiana com uma Göttlich Divina!. Volto no avião mais do que feliz, ansioso para contar as novidades e sobre o maravilhoso encontro com a ACervA Carioca.

Esperamos vocês por aqui.

Abraços,

Bernardo Lepikson

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One response

24 04 2011
Mauro

Bernardo, foi um prazer estar neste encontro. Bom saber que a cena cervejeira do Rio está deixando boas impressões. Obrigado pela visita, que me proporcionou uma terça-também pertinho de casa.
abraço

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